Na programação houve a fala da Aline Baroni, diretora executiva da Proveg Brasil, "uma organização dedicada à conscientização alimentar que atua para transformar o sistema alimentar global em um modelo mais sustentável, tornando uma alimentação rica em vegetais mais acessível e atrativa" (https://proveg.org/br/sobre-nos/).
Aline apresentou os resultados de um estudo sobre a transição da pecuária para sistemas agroflorestais vegetais e seus impactos na renda de agricultores familiares e na sustentabilidade. O relatório pode ser acessado aqui (https://proveg.org/br/wp-content/uploads/sites/9/2025/11/PV-BR-Relatorio.pdf). A apresentação da Aline me fez refletir sobre a possibilidade das agroflorestas serem a base de surgimento de ecossistemas empreendedores rurais. Mas isto é assunto para outra hora. Agora quero contar sobre o que ouvi de seu Zé Amoroso.
Depois da apresentação da Aline, tivemos a chance de ouvir o depoimento do Seu Zé, agricultor familiar do município de Ortigueira, no Paraná, que participa do Projeto Cultiva, realizado pela ProVeg Brasil e o produtor, em parceria com a Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Paraná e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ortigueira.
Nesse projeto, seu Zé recebe apoio técnico gratuito para fazer a transição da pecuária de leite e de corte para "uma agrofloresta em que produzirá feijão, milho, banana, melancia, mamão e abóbora" e, posteriormente, café e erva-mate, junto com o reflorestamento com plantio de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica (https://proveg.org/br/noticias/pesquisa-revela-que-transicao-da-pecuaria-para-sistemas-agroflorestais-vegetais-pode-dobrar-renda-de-produtor-rural-e-reduzir-emissoes-brasileiras/).
Seu Zé nos agraciou com.um relato emocionante de sua vida. Entre nove irmãos, foi o único a escolher a vida produtiva no campo. Depois de ter trabalhado como motorista de ônibus e caminhão, transportando pessoas e cargas, e outras ocupações, decidiu-se por tentar a vida no campo. Que é onde diz se sentir feliz.
Seu Zé contou sobre como aceitou participar do Projeto Cultiva. Havia percebido que não estava sendo bem sucedido com a pecuária, tendo inclusive buscado outras ocupações. Por exemplo, contou sobre a experiência de transportar madeira para uma grande empresa. Mas não se sentia feliz.
Viu no projeto a possibilidade de insistir na vida no campo. Com a esperança de que a mudança no sistema de produção lhe ajudaria a ter mais sucesso. Antes de aceitar, disse que precisava conversar com a família.
Sua esposa estava presente no evento junto com ele. Ao ser indagada sobre o que pensou quando Seu Zé falou da ideia, ela respondeu: Uma loucura!
Mas os dois toparam participar do projeto. Uma decisão que me parece muito consistente com outra fala de Seu Zé. Em uma parte de seu depoimento, ele nos contou sobre um aprendizado que teve com alguém que chamou "um veterano": "Livro, guarda-chuva e mente sempre abertos". Que eu traduzo como "desejo de aprender, cuidado e curiosidade". Ações presentes no mundo daqueles que empreendem.
Ao final do seu relato, Seu Zé nos encantou com versos em rima em que falou de passarinhos, caminhos, esperança e dizendo que agora o chamam Seu Zé Amoroso.
Sigo aqui o seu exemplo inspirador, e concluo este post com algumas rimas:
Seu Zé Amoroso
Agricultor esperançoso,
Cuidadoso e curioso.
Além de passarinho
Encontra a felicidade no seu caminho
E da mulher, recebe apoio e carinho.